Elvis 1956


quinta-feira, 20 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 18

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 18


Cada vez que eu me aprontava para ir ao encontro de Elvis em Los Angeles, ele apresentava uma alegação qualquer para adiar a visita.

— Este não é o momento mais conveniente, Baby. Estamos com um problema nas filmagens.

— Que problema?

— O caos por aqui é total. Tenho um diretor maluco que está perdidamente apaixonado por Ann. Pela maneira como ele está dirigindo, dá para pensar que o filme é todo dela. Ele está favorecendo Ann em todos os closes. — Elvis fez uma pausa, sua raiva aumentando. — E não é só isso: querem também que ela cante algumas canções comigo. O Coronel ficou furioso. Disse que eles terão de me pagar um extra para cantar com ela. Enquanto escutava a arenga de Elvis, tentei me compadecer de sua situação. Mas, emocionalmente, estava mais preocupada com a estrela do filme do que com o diretor.

— Como está se dando com Ann Margret? — perguntei.

— Acho que ela é uma boa garota.

Elvis descartou o assunto com a expressão "uma típica starlet de Hollywood". Minha preocupação foi temporariamente atenuada. Eu sabia que ele sempre encarava as atrizes de maneira desfavorável, chegando mesmo a comentar:

— Elas estão mais interessadas em suas carreiras e o homem fica em segundo plano. Não quero ser o segundo para qualquer coisa ou qualquer pessoa. É por isso que você não precisa se preocupar com a possibilidade de eu me apaixonar pelas atrizes que trabalham comigo.

Eu queria acreditar, mas não podia ignorar as notícias na imprensa sobre o romance, segundo os rumores, não era entre Ann-Margret e o diretor, mas sim entre Ann-Margret e Elvis.

Uma noite em que estávamos conversando pelo telefone perguntei abruptamente:


— Tem algum fundo de verdade?

— Claro que não — respondeu Elvis, caindo na defensiva no mesmo instante. — Você sabe como são esses repórteres. Adoram ampliar qualquer coisa. Ela apenas aparece por aqui nos fins de semana, em sua motocicleta. Brinca um pouco com a turma e depois vai embora. Isso é tudo. Mas era suficiente para mim: Ann-Margret estava lá e eu não. Enfurecida, declarei:

— Quero ir para aí agora!

— Agora não é possível. Estamos terminando o filme e voltarei para casa dentro de uma ou duas semanas. Mantenha-se aí e trate de conservar aceso o fogo da paixão.

— A chama está ardendo muito baixa. É melhor alguém voltar logo para casa e atiçar o fogo.

Elvis soltou uma risada.

— Você está começando a parecer comigo, Baby. É melhor eu tomar cuidado. Não pode haver dois de nós neste mundo. Voltarei em breve, querida. Mantenha tudo pronto.

Ao final do telefonema, comecei a planejar ansiosamente os preparativos para o seu retorno. Peguei minha agenda, contei os dias que faltavam para sua volta, passei a riscar um de cada vez. Ameaçada por dúvidas e apreensões, eu fazia tudo o que podia para agradá-lo, de instruir-me sobre a música evangélica que ele adorava a cuidar de Graceland da melhor maneira possível.

Minha ansiedade em agradar Elvis era tão intensa que quase o irritava. Ele sempre tinha uma desculpa para que os seus outros relacionamentos não tivessem dado certo:

— Elas eram muito simples e não podiam se adaptar ao meu estilo de vida em Hollywood ou então atrizes muito preocupadas com suas carreiras.

Mas como ele podia escapar de um relacionamento com uma parceira tão submissa como eu? Muitas vezes sentia pena de mim mesma e ficava com raiva de Elvis por me deixar numa situação em que era forçada a ficar sozinha por semanas a fio.


ELVIS E EU

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Entediada, resolvi explorar o sótão de Graceland. Eu perguntara um dia a Vovó o que havia lá em cima e ela respondera:

— Nada demais, meu bem, apenas algumas velharias. Há séculos que não subo lá. Não há como saber o que tem lá em cima... ou quem. Não podia haver a menor dúvida de que algo estranho ocorria no sótão. Muitas noites se podia ouvir ruídos, permanecendo acordada, orando para a manhã chegar logo, antes de fechar os olhos para dormir. Ela imaginava que podia ser o espírito de Gladys, velando por Elvis.

— Acredita em espíritos, Vovó?

— Claro, meu bem. Às vezes vagueio pela casa e posso sentir os espíritos ao redor. Pergunte a Hattie. Ela sabe. Também já sentiu a presença dos espíritos.

Hattie era uma preta enorme, nossa fiel e devotada companheira. Ficava com Vovó e comigo à noite, quando Elvis estava ausente, guardando-nos com sua própria vida... e com uma pequena pistola que punha debaixo da cama todas as noites.

Uma noite, depois que Hattie apagara as luzes, perguntei-lhe abruptamente:

— Hattie, também acha, como Vovó, que há espíritos lá em cima?

— Tudo o que posso dizer, Srta. Priscilla, é que escuto vozes estranhas, como nunca ouvi antes em todas as casas em que já estive. E às vezes fica tudo quieto por aqui, um silêncio como também nunca conheci antes. Mas não precisa se preocupar, menina. Se há espíritos nesta casa, não vão lhe fazer mal algum.

— Amém — disse Vovó.

No dia seguinte resolvi subir ao sótão, a fim de descobrir o que havia lá em cima. Enquanto subia, com a mão no corrimão dourado, percebi que a tinta estava lascada e gritei:

— Não acha que devemos pintar isto aqui, Dodger?

Vovó, parada na base da escada, levantou os óculos escuros para ver melhor.

— Tem razão, meu bem, é melhor falarmos com Vernom.

Está mesmo horrível.


— Talvez fosse melhor providenciar a pintura antes de Elvis voltar, a fim de lhe fazer uma surpresa. Falarei com o Sr. Presley amanhã de manhã. Terminei de subir a escada e entrei no sótão, descobrindo o mundo de Elvis.

Havia várias arcas, com os seus equipamentos militares. Havia velhos aparelhos de televisão e móveis antigos, que estavam em seu quarto anos antes. Passei a mão por um sofá, especulando quem teria sentado ali. Invadida pelo ciúme, afastei-me.

Encontrei dois armários, lado a lado. Abri um. Estava repleto com roupas velhas de Elvis — Blusões de couro, quepes de motociclista, uma camisa rosa que eu vira em fotografias. Adorava a maneira como ele ficara com aquela camisa rosa e desejei que a usasse de novo. Com uma curiosidade crescente, vasculhei tudo. Sentia-me mais próxima de Elvis apenas por tocar em seus pertences. Mas, durante todo o tempo, pensava numa coisa: quem estava com ele na ocasião, Dixie, Judy, Anita, Bonnie? Eu era possessiva, precisava saber.

E depois encontrei algumas cartas, escondidas por baixo de uma suéter velha. Eram cartas de Anita escritas quando Elvis se encontrava na Alemanha até sua partida. Passei horas sentada ali, lendo uma a uma. Anita escrevera pelo menos duas cartas por semana, todas dizendo basicamente a mesma coisa: ela o amava, sentia muita saudade e estava contando os dias para sua volta... exatamente como eu fizera. Ela estava no processo de conquistá-lo como um amante na ocasião em que eu o perdia. Parecia evidente que Elvis lhe dizia que era a única mulher em sua vida. Confusa e magoada, compreendi que ele escrevera durante todo o tempo para sua "Little Bit", como a chamava, dizendo que estava ansioso em voltar e revê-la, ao mesmo tempo em que me abraçava ternamente e me assegurava que não podia suportar a idéia de deixar a sua "Little Girl", a sua garotinha.

Senti-me traída, como tenho certeza de que também aconteceu com Anita, ao tomar conhecimento da minha existência. Voltando ao sótão no dia seguinte para investigar o outro armário, encontrei os pertences de Gladys — suas roupas, fotografias antigas e papéis. Era estranho todas aquelas roupas penduradas com extremo cuidado. Eu sabia que fora Elvis


ELVIS E EU

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quem as pusera ali. Ele não fora capaz de se desfazer de qualquer dos pertences da mãe.

Experimentei um dos vestidos e compreendi que ela gostava de tecidos macios sobre a pele, como eu também gostava. Pelo tamanho do vestido, percebi que era uma mulher grande; pela textura, conclui que estava mais preocupada com o conforto do vestido do que com a moda ou elegância. Ela gostava de se vestir com simplicidade e conforto. Senti-me culpada em seu vestido, mas isso também me proporcionou uma noção melhor de Gladys Presley: uma mulher, como Vovó a descrevera, de coração de ouro... mas que era melhor nunca irritar. Quando ficava furiosa, "podia praguejar como um marinheiro e exibia a ira de Deus". Sentia-me triste — por Elvis, por Gladys, por todos nós — porque tínhamos de enfrentar a morte. A vida poderia ser muito diferente se Gladys ainda estivesse viva, pensei, chorando como se ela fosse minha própria mãe. Podia sentir a presença de Gladys naquele sótão, assim como seu sofrimento e solidão. Talvez fosse o espírito dela que Vovó e Hattie sentiam.

Subitamente, o rosto de Hattie apareceu na porta do sótão. Nós duas soltamos um grito de susto e indagamos ao mesmo tempo:

— O que você está fazendo aqui em cima?

— Criança, não deveria vir aqui. Tem muitas lembranças tristes. Além do mais, é escuro e assustador. Só subi porque Miss Minnie estava preocupada com você.

Depois, enquanto se afastava, acenando com as mãos por cima da cabeça, Hattie murmurou:

— Não gosto nada deste lugar.




ELVIS E EU





CONTINUA,,,,,,,,,,

 
 
 




LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 17

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 17


A teoria do Coronel Parker era simples: Se você quer ver Elvis Presley, compre um ingresso." A partir do momento em que se começava a distribuir entradas gratuitas, perdia-se uma receita considerável. Ele apegou-se a essa política até o dia em que Elvis morreu. Elvis concordava plenamente, convencido de que o Coronel sabia o que era melhor. E dizia:

— O Coronel não se importa de arcar com a culpa. Quando a vida começava a se tornar tediosa, podia-se contar com Elvis para inventar uma nova aventura. Ele era extraordinariamente inventivo. Num dia particularmente melancólico ele decidiu de repente que não gostava da aparência de uma velha casa localizada nos fundos da propriedade, por trás da mansão. Seu tio Travis ocupara outrora a casa, que agora era usada como depósito. Elvis contemplou-a em silêncio por um longo tempo, depois chamou o pai e disse-lhe que providenciasse um trator para demolir a casa.

Pude imaginar o que se passou pela cabeça de Vernon: Santo Deus, o que ele está querendo agora? Vernon sabia que se Elvis ficava em casa entediado, nos intervalos entre os filmes, qualquer coisa podia acontecer. Quando o trator apareceu, Elvis insistiu que poderia guiá-lo, convencendo o pai — e os representantes do departamento de demolições e do corpo de bombeiros — de que poderia realizar todo o trabalho pessoalmente.

Usando seu capacete de futebol americano e um casaco peludo de esquimó, Elvis entrou em ação, sob as aclamações do círculo íntimo, derrubando a casa e depois incendiando-a. Isso atraiu os caminhões dos bombeiros aos portões, com as sirenes ligadas.

— Chegaram

um pouco atrasados — disse-lhes Elvis, com um sorriso feliz e malicioso.


Em outra ocasião, ele ordenou que seus Karts fossem aprontados para uma corrida. Elvis, é claro, detinha o record da volta mais rápida pelo caminho circular.

Tentando provar que era tão boa quanto os rapazes, eu me esforcei em igualar o seu tempo. Apavorada, fui aumentando a velocidade, enquanto Elvis marcava o tempo com um cronômetro, concedendo-me um sorriso de aprovação quando alcancei a velocidade de 25 quilômetros horários.

— Ele transformava Graceland num parque de diversões para nós. Promovia concursos de tiro ao alvo e também "corridas da emoção", em que várias pessoas se amontoavam pelo terreno, em alta velocidade. O quintal dos fundos de Graceland tinha mais buracos do que a lua tem crateras — tudo das lutas de pistolões. No Quatro de julho Elvis sempre gastava uma fortuna em fogos de artifício, que chegavam de caminhão. Os rapazes se dividiam em dois grupos e miravam os rojões uns contra os outros.

Embora houvesse baixas — dedos queimados, cabelos chamuscados — ninguém parecia se importar. O próprio Elvis se mostrava tão despreocupado quanto um garotinho, escondendo-se e depois esgueirando-se contra o grupo adversário em ataque de surpresa. Elvis sabia como se divertir. E eu adorava aqueles momentos.

Infelizmente, chegou o momento em que ele tinha de voltar a Hollywood. Deveria iniciar seu novo filme, Viva Las Vegas. O ônibus foi estacionado na frente dos leões brancos de pedra que flanqueavam os degraus da frente de Graceland, devidamente carregado e pronto para partir.

Eu detestava a idéia se Vê-lo partir. De braços dados, saímos pela porta. Subitamente, puxei-o para trás e tentei dizer o que estava sentindo, mas havia muitas distrações ao redor — pessoas se despedindo, a música tocando alta no interior do ônibus, Alan gritando para George Klein aumentar o volume.

Pensei: Se ao menos fosse um pouco mais sossegado, se Elvis pudesse me levar para um canto e tivéssemos alguma privacidade... Mas a atenção


ELVIS E EU


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de Elvis se concentrava em toda a atividade e ele estava contagiado pelo excitamento de voltar ao trabalho.

— O que é, Baby? — perguntou ele.

— Eu apenas gostaria que você não partisse tão cedo — murmurei, ainda incapaz de dizer o que estava realmente pensando. — Logo agora que estávamos começando a nos acostumar um ao outro, você tem de ir embora. Eu gostaria que tivéssemos mais tempo.

— Sei disso, garotinha. Dê-me duas semanas para iniciar o filme e talvez você possa passar algum tempo comigo em Hollywood. Agora, seja uma boa menina. Telefonarei amanhã.

Ele me deu um beijo rápido nos lábios e embarcou no ônibus, a porta se fechando no instante seguinte. E logo ouvi o grito familiar:

— Muito bem, vamos embora!

O ônibus desceu a encosta e passou pelo Portão da Música, onde suas fãs, como sempre, lealmente acenavam em despedida e o exortavam a "voltar depressa para casa".

Fiquei observando até que não podia mais ver as luzes vermelhas traseiras, desaparecendo na Rodovia 51. Censurando-me, especulei por que não fora capaz de lhe dizer o que temia. Estava transtornada desde que soubera que a estrela do novo filme seria Ann-Margret, a starlet em ascensão mais rápida de Hollywood. Ann-Margret fizera apenas uns poucos filmes, inclusive Bye Bye Birdie, mas já fora apelidada de "Elvis Presley de saia". Elvis estava curioso em relação a ela, tendo comentado que "a imitação é a forma mais sincera de lisonja". Compreendi que se lhe revelasse meus temores, ele podia não dizer nada para me tranqüilizar. Uma noite ele cometera o erro de me falar sobre os seus romances com diversas estrelas de seus filmes.

Tentando escutar as histórias, justificara seu comportamento dizendo a mim mesma que eu residia na Alemanha na ocasião e não havia vínculos reais entre nós.

Agora, no entanto, eu me encontrava em seu próprio território, morando em sua casa, com os amigos, a família e as lembranças do passado. Não me ocorreu então, mas estava vivendo justamente como Elvis queria — longe da sociedade de Hollywood, a namoradinha que ele
 
deixava em casa. Tratei de me adaptar. Não estava em sua companhia, mas de certa forma continuava ao seu lado. E presumi que Elvis seria tão fiel a mim quanto eu era a ele.

Por que então tinha tanta certeza de que no instante em que Elvis estivesse longe de mim — e perto de Ann Margret — surgiria um romance entre os dois?
 


ELVIS E EU


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CONTINUA,,,,,,,,,,,