Elvis 1956


sexta-feira, 5 de maio de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 25

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 25


Em 1966 a longa busca de Elvis pelas respostas para o mistério da vida envolveu a todos nós em estranhos jogos, que ele adorava criar. Ele ia para o quintal dos fundos da casa em Bel Air e ficava olhando" os planetas se deslocarem pelo céu", por longos períodos, na escuridão da madrugada. Elvis estava convencido — e quase nos convenceu também — que havia ondas de energia tão poderosas que faziam as estrelas deslizarem pelo universo. Durante horas todos contemplávamos, maravilhados, interrogando um ao outro sobre o que víamos, com medo de formular a única indagação apropriada: "Será possível?"

A imaginação de Elvis atingiu o auge quando estávamos todos no jardim, olhando para o Bel Air Coutry Club, cujo gramado estava sendo regado por um sistema de aspersão automático.

— Estão vendo? — perguntou Elvis, olhando atentamente para o terreno.

— Vendo o quê? — indaguei, sem perceber coisa alguma.

— Os anjos.

— Anjos?

Olhei para o gramado. Queria muito acreditar em Elvis, assim como os outros. E todos concordamos que também estávamos vendo. Como num transe, Elvis continuou a olhar para a água por mais alguns minutos. Depois, começou a se adiantar, murmurando:

— Tenho de ir. Vocês devem ficar aqui. Eles estão querendo me dizer alguma coisa.

Ele encaminhou-se para o campo de golfe, no encalço de sua visão. Sonny segui-o, a fim de garantir sua segurança, enquanto os demais continuaram onde estavam, aturdidos. Em outras ocasiões Elvis nos fazia olhar por horas a fio para um teto branco, tentando divisar os rostos que ele dizia que estava fazendo aparecer ali.


ali.

Depois de sua morte, alguns de nós conversamos sobre aqueles tempos, aventando a possibilidade de um colapso nervoso — e depois descartando-a. Era mais provável que fosse apenas um jogo que ele inventara por tédio e depressão, no momento mais baixo de sua carreira. Elvis tomava as pílulas para dormir a fim de escapar; enquanto resistia ao efeito, criava as suas "imagens" — seus exercícios místicos.

A ocasião em que vi Elvis mais feliz foi quando desenvolveu uma paixão por cavalos. Tudo começou quando eu comentei que gostaria de ter um cavalo. Sempre adorara cavalos, desde a infância, e Graceland tinha um lindo estábulo antigo nos fundos, onde Vernon costumava guardar móveis velhos. Estava equipado com uma sala de arreios, palheiro e diversas baias. Cerca de duas semanas depois eu estavas em meu quarto de vestir quando Elvis, que se ausentara por algumas horas, voltou e bateu na porta.

— Sattnin, quero que você desça agora pois tenho uma coisa para lhe mostrar.

Os olhos dele brilhavam. Levou-me pela porta dos fundos, tapando-me os olhos com a mão. Quando ele a retirou, deparei com a coisa mais linda que já vira — um cavalo preto, de meias brancas.

— O nome dele deve ser Dominó! — exclamei, afagando o fogoso animal de quatro anos. — De quem é?

— É seu — respondeu Elvis!, sorrindo. — Vi um garoto montando-o e perguntei se queria me vender. Pude imaginar você montada nele.

— Jura que é mesmo meu? — gritei, pulando de alegria e abraçando Elvis.

Eu queria montar Dominó imediatamente e foi o que fiz.

— Vá com calma — advertiu Elvis. — Não quero que se machuque. Ele ficou me observando com uma expressão preocupada, enquanto eu dava uma volta pelo campo e depois me encaminhava para o quarto de Vovó.

— Dodger! Dodger! — gritei. — Olhe só o que eu ganhei! Meu cavalo! Não é lindo? Elvis acaba de comprar para mim!


ELVIS E EU

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— Santo Deus! — exclamou Dodger. — Saia de cima dessa coisa, Priscilla! Vai acabar se matando! Vou brigar com aquele menino por dar um presente assim a você! Não pode montar essa criatura!

— Não se preocupe, Vovó! — gritei alegre, antes de me afastar a galope. — Posso controlá-lo muito bem!

Dominó era um cavalo fogoso. Quando eu o montava, ao final da tarde, sentia-me em meu mundo particular. Era uma libertação maravilhosa. Muitas vezes Elvis me observava de sua janela no segundo andar e eu lhe gritava:

— Desça para passear comigo!

Elvis não montava muito bem na ocasião. Só tivera experiência de equitação em alguns de seus filmes e jamais gostara. Sentia-se um pouco intimidado com os animais grandes; mesmo assim, aceitou meu convite e experimentou montar Dominó. Adorou e declarou:

— Também quero um cavalo e vai ser um palomino dourado.

Jerry Schilling encontrou Rising Sun num estábulo próximo. Era o mais lindo palomino que se podia imaginar, grande e vigoroso. Fora treinado para shows e nunca vi um animal que exigisse tanta atenção e tanto a apreciasse como Rising Sun. Não podia haver qualquer dúvida de que era o cavalo para Elvis.

Mas ele permaneceu cético e mandou que Jerry testasse o cavalo primeiro.

— Ele é lindo, cara, um cavalo sensacional. Mas dê uma volta nele antes, Jerry.

Jerry tinha pouca — se é que alguma — experiência de montagem e ficou apavorado com a idéia. Mesmo assim, montou Rising Sun, parecendo completamente deslocado.

O cavalo disparou como uma bala, com Jerry mal conseguindo se manter na sela. O magnífico animal parecia estar estudando Elvis, tanto quanto Elvis o estudava. Correu de volta, seguindo direto para o lugar em que Elvis estava parado.

— Puxe-o de volta! — gritou Elvis.

— Estou tentando, E, estou tentando! — berrou Jerry em resposta.


Elvis foi conquistado. Agora, todos desenvolvemos a paixão por cavalos. Cavalgávamos todas as tardes, entrando pela noite. Como acontecia com tudo o que apreciava, Elvis queria que todos aderissem à diversão. Assim, começou a nossa busca de cavalos para Billy e Jo Smith, Joe Esposito, Jerry Schilling, Lamar, Charlie, Red, Sonny, Richard...todos, enfim. Compramos as melhores selas, mantas, freios, rédeas, baldes de forragem. Comprávamos qualquer coisa que se relacionasse com um cavalo.

Todas as tardes saíamos a passear, à vista de cerca de duzentas fãs locais, ao longo das cercas. Trajado ao estilo do Velho Oeste, Elvis oferecia um espetáculo e tanto. Descia a galope pela encosta comprida na frente de Graceland e voltava, mostrando-se para as fãs. Disputava corridas com os outros, sob os aplausos das fãs.

O espetáculo tornou-se ainda mais sensacional quando Elvis comprou seu Tennesse Walker, um zaino premiado, chamado Bear, que montava em grande estilo. Ele e Bear ofereciam um show sensacional; se fosse cobrada entrada, provavelmente daria a mesma renda de seu show em Las Vegas. Seus outros hobbies — os Karts e carrinhos — eram apenas máquinas. Aquele era o primeiro hobbie que envolvia uma criatura viva.

Os cavalos reagiam ao seu amor e era comovente observar a afeição de Elvis pelos animais. Foi um momento de grande intimidade para todos nós, pois tínhamos algo em comum. Mas depois que Elvis demonstrou sua generosidade, presenteando a todos com cavalos, Graceland mostrou que não era bastante grande para o rebanho. Ainda não sabíamos, mas estávamos prestes a nos tornar rancheiros.


 
 
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LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 24

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 24


Elvis não era um homem de moderação. Quer fosse motocicletas, carros cavalos, parques de diversões, rinques de patinação, sexo ou até mesmo comer o mesmo jantar dia após dia, se ele gostava, entregava-se de corpo e alma.

Uma noite dei-lhe de presente um autorama, com carrinhos de controle remoto. Poucas semanas depois ele acrescentara uma sala inteira à casa, com uma enorme pista profissional. Brincava ali noite após noite, só voltando muito tarde para seu quarto, até que acabou cansando e o anexo foi convertido numa sala de troféus, ocupada por seus discos de ouro e prêmios diversos.

À medida que a fascinação de Elvis pelos fenômenos ocultos e metafísicos aumentou, Larry levou-o ao Centro de Autocompreensão, em Mount Washington, onde ele conheceu Daya Mata, a diretora. Era uma mulher atraente, com uma semelhança extraordinária com Gladys Presley. Elvis ficou cativado por sua serenidade e presença espiritual. Ela simbolizava tudo o que ele procurava.

Elvis fez várias viagens a Mount Washington, no alto das colinas de Hollywood, para sessões com Daya Mata, na esperança de alcançar o Kriya, que é a forma mais elevada de meditação na auto-compreensão. Sentia-se especialmente atraído por Paramahansa Yogananda, o falecido fundador do centro e autor de A Autobiografia de um Ioga.

Leu que Yogananda ficara num caixão aberto no Cemitério Forest Lawn por mais de vinte dias sem apresentar qualquer sinal de decomposição. Era esse tipo de estado superior de percepção que Elvis esperava alcançar.

Por mais relaxado e pacífico que ele estivesse ao deixar a área sossegada do centro, havia uma coisa a que não podia resistir: uma boa briga. Voltávamos uma tarde de Mount Washington quando a limusine


passou por um posto de gasolina em que dois atendentes estavam brigando.

— Pare o carro — ordenou Elvis ao motorista.

— Alguém está em dificuldade.

Ele saltou do carro, seguido por Jerry e Sonny. Aproximou-se de um dos homens e disse:

— Se você quer brigar com alguém, estou às suas ordens.

— Ei, cara, não tenho nada contra você! — protestou o homem, mal podendo acreditar que era mesmo Elvis. — Nem mesmo estou discutindo com você!

— Se quer um motivo para brigar, então vou lhe dar um! Elvis desferiu um golpe de caratê e para sua surpresa — e de todos nós — arrancou um maço de cigarros do bolso do homem.

No nosso grupo, Elvis não se destacava pela precisão no caratê. Muito tempo depois da confusão no posto de gasolina ainda gracejávamos a respeito:

— O senhor estava ao lado de E naquele dia. O cara não soube a sorte que teve.

É claro que Elvis agira como se pudesse fazer aquilo sempre que quisesse. Depois de desferir o chute, ele se afastou com um sorriso arrogante, advertindo ao homem que não comprasse outras brigas ou aprenderia uma lição para valer.

Quando chegamos em casa, Elvis relatou o incidente, dando a impressão de que liquidara meio batalhão. E nós confirmamos a sua fantasia.

Ele estava ansioso por um filme, Harum Scarum, considerando-o a sua grande oportunidade de criar um personagem realmente interessante. Identificava seu papel com o de Rodolfo Valentino em The Sheik. Achava que tinha finalmente um papel que podia explorar. Estava convencido de que tinha uma semelhança física com Valentino, especialmente de perfil. Durante os preparativos para a produção, ele chegou um dia em casa escurecido pela maquilagem, vestindo uma calça branca de harém, um


ELVIS E EU

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turbante branco na cabeça. Estava excepcionalmente bonito, muito mais do que Valentino, em minha opinião. Inclinando a cabeça, com um olhar penetrante, as narinas dilatadas, ele perguntou, enfaticamente:

— Não é impressionante como pareço com ele? Qual é a sua reação?

Ele me pegou em seus braços, ao melhor estilo de Valentino, inclinou-me, como no melhor cartaz do filme.

Noite após noite ele manteve a maquilagem e o turbante, durante o jantar e até a hora de dormir. Embora estivesse muito animado com o filme quando começaram as filmagens, no entanto, seu ânimo foi declinando a cada dia que passava. O enredo de Harum Scarum era uma piada, seu personagem não passava de um idiota, as canções que apresentava eram desastrosas. O filme tornou-se mais um desapontamento... e dos mais embaraçosos.

Ainda empenhado no filme, mas humilhado por sua mediocridade, Elvis procurava uma válvula de escape em incursões de motocicleta — onze Triumphs e uma Harley, as Triumphs para os assistentes e a Harley para o chefe. Vestidos de couro da cabeça aos pés e nos sentindo como um bando de arruaceiros dos Hell's Angels, partíamos em disparada pelos portões da mansão de Bel Air, acelerando os motores, a qualquer hora da madrugada.

Nos fins de semana fazíamos excursões às montanhas de Santa Mônica, parando pelo caminho para tomarmos refrigerantes ou cerveja. Era divertido e desenfreado. Eu gostava tanto que queria ter minha própria motocicleta. Apesar da preocupação com minha segurança, Elvis acabou me comprando, relutante, uma Honda Dream 350.

Enquanto ele estava no estúdio, eu saía sozinha às vezes, fugindo de Bel Air, Beverly Hills, Hollywood, MGM e todas as minhas preocupações.

Durante esse período, quando Elvis ainda procurava "um estado de consciência superior", experimentamos as drogas que expandiam a percepções. Experimentamos a marijuana e não gostamos muito. Sentíamo-nos cansados e grogues, com uma fome voraz.



Depois de várias excursões à geladeira — e os quilos a mais resultantes — resolvemos nos manter a distância de marijuana. Embora detestasse as drogas mais fortes, Elvis estava curioso com o LSD, querendo experimentá-lo uma vez. Quando iniciamos a experiência, providenciamos para que Sonny West permanecesse na supervisão durante todo o tempo. Lamar, Jerry, Larry, Elvis e eu sentamos à noite em torno da mesa de reunião no escritório de Elvis, no segundo andar de Graceland. Elvis e eu tomamos meio tablete. A princípio, nada aconteceu. Depois, começamos a nos fitar atentamente e a rir, pois os rostos começavam a ficar distorcidos. Fiquei absorvido pela camisa multicolorida de Elvis. Começou a aumentar, cada vez maior, até que pensei que ele ia explodir. Era fascinante, mas a sensação não me agradava. Pensei; Isso não é real, tome cuidado, está perdendo o controle. Tentei me apegar à sanidade. Todos nos concentramos em torno do aquário, no lado de fora do quarto principal, fascinados pelos peixinhos tropicais. Muito estranho — havia apenas dois ou três, mas de repente eu contemplava um oceano de peixes de cores brilhantes. Afastei-me e um momento depois descobri-me no imenso closet de Elvis, ronronando como uma gatinha, já era de manhã quando Elvis e eu descemos e saímos da casa. O orvalho criava arco-íris na névoa, rebrilhava nas árvores e no gramado. Estudamos as folhas, tentando contar cada gota de orvalho. Os veios na relva tornaram-se visíveis, respirando lentamente, em ritmo. Fomos de árvore em árvore, observando a natureza em detalhes. Foi uma experiência extraordinária. Contudo, compreendendo que era uma droga muito perigosa para se brincar, nunca mais experimentamos o LSD.


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LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 23

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 23


Em abril de 1964 Larry Geller foi contratado para substituir o barbeiro de Elvis, Sal Office. Não podíamos imaginar na ocasião que o novo relacionamento não apenas acarretaria uma mudança drástica em Elvis, mas também criaria tensão, ciúme e medo no grupo. Eu estava em Menphis quando ele conheceu Larry, mas soube de tudo a seu respeito através de nossas conversas telefônicas noturnas. O entusiasmo de Elvis por seu novo amigo era contagiante.

— Você não vai acreditar no cara, Sattnim — disse ele. — Larry sabe mais sobre o mundo espiritual do que todos os pregadores, padres católicos e fanáticos religiosos juntos. Temos discussões que se prolongam por horas, falando sobre os grandes mestres e o propósito da minha presença neste mundo. Estou convidando-o a ir para Graceland. Ele vai aprofundar o seu desenvolvimento espiritual.

Quando Larry e a esposa, Stevie Geller, se juntaram a nós, fiquei surpresa ao descobrir que eram jovens e atraentes. Ele era jovial e gentil. Ela era doce, tranqüila e retraída. Contudo, muitos do grupo, inclusive eu, ficaram desconfiados. Todos estávamos ameaçados pelo envolvimento de Elvis com Larry. Estava afastando-o de nós. Parecia que Elvis estava sempre apartado, lendo livros esotéricos ou absorvido em conversas com Larry sobre o plano de Deus para o universo.

Elvis descobriu que havia muitos grandes mestres além de Jesus. Havia Buda, Maomé, Moisés e outros, "escolhidos por Deus para servirem a um propósito". O que eu testemunhava agora em Elvis era o afloramento da parte de sua natureza ansiosa por respostas para todas as questões fundamentais da vida.

Ele perguntou a Larry por que, entre todas as pessoas do universo, fora escolhido para influenciar milhões de almas. Instalado nessa posição singular, como ele podia contribuir para salvar um mundo assoberbado


pela fome, doença e pobreza? E antes de mais nada, por que havia tanto sofrimento humano? E por que ele não era feliz, quando tinha mais do que qualquer um podia querer?

Achava que estava faltando alguma coisa em sua vida. Através da percepção de Larry, ele esperava encontrar o caminho que o levaria às respostas. Elvis estava ansioso que todos nós — especialmente eu — absorvêssemos o conhecimento que ele estava consumindo. Feliz em partilhar tudo, exatamente como fizera com as análises da Bíblia em Los Angeles, ele lia para nós por horas a fio, distribuindo os livros que julgava que nos interessariam. Anunciou que eu teria de acompanhá-lo na busca das respostas para o universo, a fim de que pudéssemos nos tornar perfeitas almas-irmãs. Para ajudar-me, ele deu-me vários livros, inclusive A Iniciação do Mundo, de Vera Stanley Adler.

Ele sugeriu que eu assistisse às conferências do filósofo e autor metafísico Manley P. Hall. Foi o que fiz. Achei que as conferências eram difíceis de compreender e penosas de suportar, mas consegui sobreviver, com a esperança de que "isto também vai passar".

Depois, Elvis interessou-se pelo Livro dos Números, de Cheiro, que definia as características das personalidades das pessoas de acordo com o dia do mês em que haviam nascido. A fim de descobrir quem era compatível com quem, Elvis calculou os números dos dias de nascimento de todos no grupo. Fiquei apavorada, rezando para que meu número fosse seis, sete ou oito, a fim de ser compatível com Elvis, que era um oito.

Felizmente, meu número combinava com o dele. Embora eu estivesse me esforçando para ser a alma-irmã de Elvis e sutilmente me tornasse cada vez mais consciente de mim mesma como um ser espiritual, meu coração ansiava pelas próprias tentações que ele se empenhava em dominar. Enquanto eu esperava pacientemente em Graceland por suas voltas, planejando interlúdios românticos, Elvis tentava superar as tentações do mundo e estava convencido de que passava por um período de purificação, física e espiritual. Quaisquer tentações sexuais eram contra tudo o que ele estava buscando e não desejava me trair, a garota que o esperava em casa, preparando-se para ser sua esposa.



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Elvis sentia-se culpado e confuso por sua reação natural aos avanços femininos e creio que esse era o seu maior medo no casamento. Ele me amava e queria muito ser-me fiel, mas nunca teve certeza de que poderia resistir às tentações. Era uma batalha persistente e ele chegou a um ponto em que estava convencido de que devia resistir até a mim. Uma noite, antes de deitarmos, ele disse:

— Cilla, você terá de ser muito compreensiva nas próximas semanas ou por quanto tempo mais for necessário. Sinto que devo me afastar das tentações do sexo.

— Mas por quê? E por que comigo?

Ele estava absolutamente solene.

— Temos de controlar nossos desejos, a fim de podermos nos controlar. Se pudermos controlar o sexo, então poderemos dominar todos os outros desejos.

Quando deitamos, ele tomou a sua dose habitual de pílulas para dormir, entregou a minha e depois, lutando contra a sonolência, pôs-se a ler seus livros metafísicos.

Como sua alma-irmã, eu deveria procurar as respostas tão fervorosamente quanto ele, mas não suportava ler os livros empolados que nos cercavam na cama todas as noites. De um modo geral, cinco minutos depois de abrir um eu já estava profundamente adormecida. Irritado com meu desinteresse óbvio, Elvis me acordava para partilhar uma passagem profunda. Se eu manifestasse o menor protesto, ele dizia:

— As coisas entre nós nunca darão certo, Cilla, porque você não demonstra o menor interesse por mim ou minha filosofia. — E depois, ele acrescentava, incisivo: — Há muitas mulheres por aí que gostariam de partilhar essas coisas comigo.

Confrontada com essa ameaça, eu me forçava a sentar na cama e tentava ler a passagem. As letras se embaralhavam diante de meus olhos, borradas. Eu queria partilhar com ele inspirações românticas e não religiosas. Tentava me aconchegar contra ele ao máximo possível, sentindo o calor de seu corpo. Ele me mandava sentar direito e escutar, lia outro trecho, repetindo-o várias vezes, para ter certeza de que eu aprendia o seu significado. Uma noite, perdi o controle e comecei a gritar.


— Não agüento mais! Não quero ouvir mais nada! Estou cansada de sua voz falando interminavelmente! Está me levando à loucura! Eu estava histérica, puxando os cabelos como uma mulher desvairada.

— O que você está vendo, Elvis? Vamos responda: o que está vendo?

Ele fitou-me, os olhos parcialmente fechados.

— Uma louca, uma louca delirante — respondeu, a voz meio engrolada por causa das pílulas para dormir. Fiquei de joelhos ao seu lado, gritando:

— Não, Elvis, não é uma louca, mas sim uma mulher que precisa fazer amor e se sentir desejada por seu homem. Elvis, você pode ter seus livros e a mim também. Por favor, não me faça suplicar. Juro que preciso de você e quero você.

Quando eu concluí a tirada, tudo o que podia ouvir era o som suave de música religiosa tocando no rádio. Olhei para Elvis. Ele mergulhara num sono profundo.

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